sábado, 2 de abril de 2011

Tropicália.


Na década de 70 a Boca do Rio era reduto hippie, era visitada por muitos artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, Novos Baianos, Zelito Miranda, Mário Cravo, Paulo Pedro Pepeu, Zizi Possi, José Agripino de Paula, Baby do Brasil, Luiz Melodia, Cardan Dantas, José Possi Neto, Zecrinha dentre outros. Hoje a praia é conhecida como Praia dos Artistas, o reduto da Tropicália.

                                                     
A Praia dos Artistas mantém a tradição de ser reduto de artistas, posto que a própria comunidade é um reduto de artistas. Suas dunas foram muito bem preservadas por pessoas como Aloísio Sky, personalidade da Praia desde os idos de 70, lá a barraca Yellow Sky (por conta da lona amarela que lhe cobria o teto) sempre foi o refúgio preferido dos Artistas e intelectuais. Aloísio juntamente com a Barraca Maria Sem Vergonha (nome de flor nativa das restingas baianas) é quem mantém o acervo histórico cultural deste reduto, é quem zela pela vegetação e pela fauna da restinga que resta, replantando e cuidando pessoalmente de cada muda.

Aloísio Sky

Aloísio Almeida, que mantém uma barraca no local há 34 anos, reconhece que o modismo de freqüentar o local passou, mas para ele, esse não é o principal problema. “A questão não é a barraca não estar mais tão freqüentada, mas sim a violência e a falta de preservação ambiental aqui na Boca do Rio”, diz. o barraqueiro nascido em Conceição de Almeida, no Recôncavo baiano, que lembra com saudosismo da época em que chegou ao bairro. No trabalho informal de jornalista para o Jornal da Bahia, foi até à praia para fotografar o corpo de um homem que havia se afogado, e desde então, se apaixonou pelo local. “Finquei uma bandeira em três de outubro de 73 e não saí mais”, diz ele.





O advento da chegada de José Agripino de Paula á Boca do Rio foi uma revolução, as idéias do artista eram muito bem assimiladas pelos hippies, punks, alternativos e tropicalistas deste reduto, José Agripino morou um bom tempo na Boca do Rio e deixou marcas eternas nesta comunidade; uma de suas filhas nasceu aqui, a pequena Manhã brincou muito nas areias da praia dos artistas.

José Agripino de Paula nasceu em 1937. Foi um artista multifacetado e guru tropicalista; Agripino teve sua produção focada nas artes visuais, cinema, literatura e, um pouco de música. A produção musical era bem artesanal. Produzia fitas cujas capas eram feitas por ele mesmo e, depois vendia para os amigos, assim bancava seus projetos. Entre esses seus trabalhos, uma fita/disco, gravada nas duas faces " Exu Encruzilhadas" datada de 1971 acaba de ser descoberta e foi gravada por José Agripino e elenco: sua esposa e bailarina Maria Ester Stockler, Rosária, Belonzzi, Lola, Pedro, Filipo, Cidinho, Guilherme, Roguetti, Jimi, Rozana, Laís, Marcelo, Érica, Zé Luiz, Elúzio, Zé Eduardo, Gonzaga, Caldas, Sony Akay, e por último ele cita a entidade, Exu.


Já entre seus filmes, o mais conhecido do público é “Hitler Terceiro Mundo" que tem no elenco Jô Soares, o 'Coisa' tem Agripino no papel título, e "O Céu Sobre Água", Candomblé no Togo. No teatro ele inventou um espetáculo “Rito do Amor Selvagem” uma grande bola que era pilotada por alguém no seu interior e que se joga para a platéia, e que o ator Stênio Garcia considera sua mais completa experiência cênica. Uma novela “Os Favorecidos de Madame Estereofônica" escrita em 173 cadernos universitários permanece inédita. Agripino viveu uma época conturbada porém criativa, os anos 60 e 70. Diagnosticado como um caso de esquizofrenia aguda, anos 70, passou a viver isolado no Embu, interior paulista. No ano de 2006, uma junta de psicanalistas foram até sua residência com um projeto médico-artístico e acabaram por produzir o documentário " Passeios no Recanto Silvestre" . Faleceu em 4 de julho de 2007, no Embu, de ataque cardíaco.



O Carro de Palha (Boca do Rio)
Estética Tropicalísta

Um comentário:

  1. Realmente a Boca do Rio te encantos mil.
    Músicos, Palhaços, Poetas e cantadores.
    Parabéns a Boca do Rio Cultural por prestar essa serviço à Memória, Cultura e à dignidade da Boca do Rio.

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